Elefante – por Bruno Gawryszewski
ELEFANTE
de Gus Van Sant
Primeiramente, gostaria de alertá-los que este não é um comentário acadêmico ou jornalisticamente coerente. Muito pelo contrário, trata-se de um comentário totalmente passional, sem compromisso nenhum com coesão textual ou clareza nas idéias. Algumas das idéias foram conversadas com o Carlinhos ou ditas por ele.
“Elefante” é um filme que reconstitui ficcionalmente a tragédia do colégio de Columbine onde vários alunos foram mortos por dois estudantes que o invadiram, atirando a esmo contra todos os que encontravam pela frente.
É um filme que, apesar de muito emocionar, tenho sentido muita dificuldade em traduzir com palavras meus pensamentos. Quando penso no filme, não consigo deixar de indagar o que é a escola e o que somos “obrigados” a passar nessa instituição. É lastimável a tecno-burocracia vigente nas escolas, universidades, onde o importante é se transmitir conteúdos e formar força de trabalho. NÃO! A escola é mais um lugar ocupado por seres humanos, logo habitado por conflitos, crises, dialética. Todos as personagens apresentam os mais diversos conflitos (graças a Deus, pelo menos são seres humanos) desde a nerd rejeitada pela professora, passando pelo jovem preocupado com o pai bêbado até as patricinhas, que vomitam todo o almoço para manterem-se magras, que sentem-se distantes da família.
Fica claro que Gus Van Sant entende isso quando apresenta todas as personagens. Trabalha com câmera quase fixa nos atores, acompanhando seus passos por 2, 3 minutos para que possamos entrar de cabeça neles, possamos nos projetar em sua vivência, tudo isso com poucos cortes.
E, o mais importante do filme (para mim), a conjugação perfeita entre o filme em si com a música de Beethoven “Sonata nº 14″. A música foi tocada por um dos homicidas minutos antes de pegarem o carro e se dirigirem à escola. Ela transpôs de forma absolutamente poética a atmosfera do filme com a tragédia que iria acontecer, trouxe à tona sensações de desespero, solidão, loucura, ódio, que foi um dos casamentos mais felizes entre trilha sonora e filme.
Um filme obrigatório de ser assistido!
Por Bruno Gawryszewski – 03.04.2004