Educação estética e animação cultural: reflexões
Resumo: A partir da década de 80, no Brasil tornou-se mais comum o esforço de repensar o papel tradicionalmente ocupado pelo profissional de lazer. Crescentemente tem sido apontados os limites de uma atuação tarefista que restringe a tal profissional o papel de somente oferecer um conjunto de atividades, tendo pouco em vista as características do contexto em que atua, bem como a não compreensão completa de sua importância enquanto um educador que deve ter um claro compromisso com a intervenção na ordem social no sentido da superação do status quo. A partir de então, tem sido comum as críticas à concepção tradicional de “recreação”, procurando-se destacar a necessidade deste profissional assumir a dimensão de um animador cultural, tarefa sensivelmente mais complexa. Se tais reflexões foram de grande importância, pode-se observar hodiernamente uma certa tendência a uniformização dos discursos, que muitas vezes acaba por esconder a necessidade da busca de novas referências teóricas, que possam tornar mais claro o processo de intervenção da animação cultural. Alguns esforços até primam por levantar um conjunto de características do animador cultural, mas o próprio processo de animação não tem sido discutido com profundidade e inovação. Este artigo objetiva discutir alguns olhares sobre a animação cultural a partir de aproximações com a Estética, compreendida enquanto disciplina filosófica, e com as reflexões construídas pelos estudiosos ligados aos Estudos Culturais. A pretensão básica é que este conjunto de olhares, mais do que se afirmar enquanto verdade inabalável, possa retomar e mesmo reorientar a discussão acerca da temática.
Por Victor Andrade de Melo
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