Cineclube “Sport”

Cinema e esporte, mesmo possuindo raízes anteriores, são manifestações culturais típicas da modernidade. Constituem-se em poderosas representações de valores e desejos que permearam o imaginário do século XX: a superação de limites, o extremo de determinadas situações (comuns em um momento onde a tensão e a violência foram constantes), a valorização da tecnologia, a consolidação de identidades nacionais, a busca de uma emoção controlada, o exaltar de um conceito de beleza. Cinema e esporte juntos celebraram as idéias de velocidade, eficiência, produtividade. Juntos cultivaram muitos heróis.

Com o intuito de aprofundar as discussões sobre as relações entre história, cinema e esporte, o “Sport”: Laboratório de Historia do Esporte e do Lazer (www.sport.ifcs.ufrj.br) lança o “Cineclube Sport”.

As atividades serão realizadas no Instituto de Filosofia e Ciências Sociais/UFRJ, sala 320F, e contarão com a presença de convidados para debater o filmes.

Primeiro Encontro

* 19 de agosto – 18h – Sala 320 F

- Filme: Belarmino (1964)

- Diretor: Fernando Lopes

- Sinopse:
O retrato de um antigo lutador de boxe, Belarmino Fragoso, antigo campeão que ganha a vida a engraxar sapatos, através das suas deambulações por uma Lisboa que já não existe. A solidão, o medo e a derrota cruzam-se num filme que embaralha o documentário, a ficção e a entrevista num passeio por antigas salas de cinema e clubes noturnos. Primeira longa-metragem de Fernando Lopes, com o apuro jazzístico de Manuel Jorge Veloso e a brilhante fotografia de Augusto Cabrita, este é um dos filmes-chave do Cinema Novo português

Segundo Encontro

* 16 de setembro – 18h

-Filme: Atletas x Ditadura – A Geração Perdida (2007)

-Diretores: Marcelo Outeiral e Marco Villalobos

-Sinopse:
A vida era mais segura no alto do pódio. Mas eles preferiram descer e enfrentar um adversário que tinha criado as próprias regras do jogo. “Atletas x Ditadura – A Geração Perdida” é um documentário que revela a cruel relação entre o esporte e a Ditadura Militar na Argentina. Em apenas oito anos de regime (1976-1983), cerca de trinta mil pessoas morreram ou desapareceram. Entre elas, jovens atletas que deixaram as competições para lutar pela liberdade. O ponto de partida é um discurso do Tenente-General Jorge Rafael Videla na despedida da seleção Argentina de rúgbi, que partia para o Campeonato Mundial, em 1978. No momento em que o ditador celebra a equipe como uma “embaixada da liberdade” no exterior, dezessete jogadores do La Plata Rugby Club já tinham desaparecido nas mãos de agentes do seu governo. Com depoimentos e imagens inéditas, “Atletas x Ditadura – A Geração Perdida” mostra também a história de Adriana Acosta, uma jovem revelação do hóquei sobre a grama que desapareceu três dias antes do início da Copa do Mundo de 1978, uma competição que foi claramente usada como arma de manipulação popular pela ditadura. Neste período, o tenista Daniel Schapira, que chegou a estar entre os dez melhores do país, foi morto da Escola de Mecânica da Armada – a ESMA – a poucas quadras do estádio Monumental de Nuñez, onde a Argentina conquistou seu primeiro título mundial. O documentário mostra ainda detalhes da passagem do corredor Miguel Sánchez pelo Brasil. O atleta foi seqüestrado em casa dias depois de voltar da Corrida de São Silvestre, em São Paulo. E pode ter sido o primeiro esportista vítima da Operação Condor. São quatro histórias cruéis e envolventes que ajudam a contar uma parte esquecida de um dos períodos mais sombrios da América do Sul.

- Convidado: Marcelo Outeiral /Cineasta, diretor do filme e jornalista da TV Globo

Terceiro Encontro

* 21 de outubro – 18 h

-Filme: Menino do Rio (1981)

-Diretor: Antonio Calmon

-Sinopse:
Um grande sucesso de bilheteria, “Menino do Rio” é um clássico dos anos 1980 e um dos primeiros filmes brasileiros sobre a juventude vivendo intensamente a natureza, a liberdade, a alegria e o amor.
O filme conta a história do surfista Valente (André de Biase) e sua relação com o órfão Pepeu (Ricardo Graça Mello), um cara que foge de casa para ser artista no Rio, e com Patrícia (Cláudia Magno), uma garota rica e complicada que conquista o coração do surfista e vive com ele um romance tumultuado pelo ex-noivo e por um segredo guardado a sete chaves. A trilha sonora, composta por Lulu Santos, Nélson Mota e Guilherme Arantes, é cheia de hits do verão brasileiro dos anos 1980, com destaque para a música-tema, “De repente Califórnia”

- Convidado: Rafael Fortes/Aluno do Doutorado em Comunicação Social-Universidade Federal Fluminense

Quarto Encontro

* 11 de novembro – 18 h
-Filme: Passe livre (1974)

-Diretor: Oswaldo Caldeira

-Sinopse:
A problemática geral do jogador de futebol profissional brasileiro, com base numa visão crítica do caso de Afonsinho que, após litígios com o Botafogo, ganhou na Justiça o direito de dispor de seu passe. Os problemas das equipes juvenis e dos craques velhos, as relações de trabalho entre jogadores e dirigentes de clubes, o fascínio do futebol sobre as crianças são alguns dos temas abordados por meio de depoimentos.
- Convidado: Oswaldo Caldeira/Cineasta, diretor do filme e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro